quinta-feira, 7 de junho de 2018

As Estrelas Lavam os Teus Pés | Estreia

©Teresa Silva






O espetáculo de dança As Estrelas Lavam os Teus Pés estreou no espaço da Fábrica das Artes do CCB no dia 7 de abril e esteve em curso até ao dia 17 desse mesmo mês.

Este espetáculo, dirigido a crianças dos 4 aos 10 anos, esteve inserido no ciclo "Tirai os Pecados do Mundo" e foi criado e interpretado pela bailarina e coreógrafa Sara Anjo.
Este ciclo teve como referência a obra de Hieronymus Bosch e o legado enigmático deste que foi um dos maiores pintores do século XV, mostrando alguns aspetos e leituras que estão suscitadas na sua obra e que tem apaixonado inúmeros pintores e historiadores de arte.












«As estrelas lavam os teus pés. Dos teus pés crescem delícias. Logo, as tuas pernas são estrelas em delícias-estrelícias.»

Este poema do Tratado de Botânica, de Joana Serrado, serviu de inspiração para olhar O Jardim das Delícias, de Bosch, e transformar em movimento coreográfico o imaginário infindável deste quadro. O corpo na sua multiplicidade explora o movimento transformando-se em jardins e em delícias, em monstros e noutras perícias. Um espectáculo de dança que explora a imaginação entre o figurativo e o abstrato, o real e o ficcional.



Madalena Palmeirim e Sara Anjo em "As Estrelas Lavam os teus Pés"
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira
     


"Se nos deitarmos no chão e levantarmos as pernas e os pés ficarem lá no topo, altos, será que as estrelas lavá-los-ão? E se nos levantarmos e esticarmos o braço, será que conseguimos agarrar uma estrela, comê-la e tornar o nosso corpo brilhante no escuro? Será que ao pegarmos nas baquetas do xilofone e tocarmos nas estrelas elas farão sons?
Como relacionamos o corpo com os elementos e objectos à nossa volta? O corpo é o motor do Ser no mundo, é pluridimensional, multifacetado e permite-nos cruzar o conhecimento com a efabulação, a experiência com o mundo do fantástico e o mundo do simbólico. Assim faz parte do saber que se nos deitarmos no chão e levantarmos a pernas fazemos uma invertida, mas isso não nos impede de imaginar as estrelas a lavar os nossos pés. Este espectáculo cria um espaço lúdico de imagens em movimento, onde o corpo encontra formas híbridas entre animais, instrumentos e objectos, como se fosse um ritual de magia e fabulação. É um espetáculo focado no acto de brincar, como forma de conhecer melhor as coisas. É um espectáculo que acredita que pecar é não cumprir as regras para ver as coisas de outra perspectiva e se há pecados para tirar do mundo, só o conseguimos fazer no acto de brincar, de dar uma outra vida e visão às coisas."

Sara Anjo (in "Tirai os pecados do mundo - Ciclo Hieronymus Bosch", CCB 2018)
(A autora escreve segundo a antiga ortografia)


Galeria

Madalena Palmeirim (e os pés de Sara Anjo) em "As Estrelas Lavam os teus Pés"
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Madalena Palmeirim e Sara Anjo em "As Estrelas Lavam os teus Pés"
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Madalena Palmeirim (e os pés de Sara Anjo) em "As Estrelas Lavam os teus Pés"
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Sara Anjo e Madalena Palmeirim em "As Estrelas Lavam os teus Pés"
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Sara Anjo em "As Estrelas Lavam os teus Pés"
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Sara Anjo

Nasceu na primavera de 1982 na ilha da Madeira, na terra dos funchos, planta da qual se fazem rebuçados.
Assim teve uma infância doce nessa cidade chamada Funchal e que tem a forma de um auditório.
Habituou-se a ver diariamente o espetáculo das nuvens a dançarem no céu e no mar e as ondas a transformarem-se em carneirinhos quando o vento soprava com muita força.
Inspirada por esse espetáculo decidiu dedicar-se à dança, a arte de pôr os corpos e as coisas em movimento.
Um dia ganhou coragem mergulhou nas águas profundas do Oceano Atlântico, apanhou as correntes rápidas do mar e foi viajar e dançar por outras terras.
Desde então navega à deriva, segue a força do vento e das marés, às vezes perde o norte, mas sabe que sempre que chega a uma sala de espetáculos, chega a bom porto.

Sara Anjo e Madalena Palmeirim
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira

Sara Anjo conceção artística e interpretação

Madalena Palmeirim composição e interpretação musical

Teresa Silva assistência artística

Uma encomenda CCB/Fábrica das Artes

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